Foto: Divulgação / Manauscult FullSizeRender

A revista Nexos que circula como entretenimento de bordo em todos os 6,7 mil voos diários da companhia aérea American Airlines traz Manaus na capa de sua edição de outubro/novembro. Diariamente, pelo menos 530.794 passageiros utilizam os voos da companhia, segundo dados da empresa, o que significa uma visibilidade enorme para a capital do Amazonas e a consolidação da cidade como destino turístico internacional.

A matéria intitulada “Manaus, a Paris dos trópicos”, assinada por Tony Sepulveda, ocupa seis páginas da publicação. Em seu texto, Sepulveda destaca que Manaus é uma cidade que não se deve visitar uma só vez, devido à variedade de locais para conhecer e, principalmente, as iguarias da gastronomia local para experimentar.

Viagens pelos rios da região são descritas para os futuros turistas, como uma experiência única na vida. A dica da revista é separar um dia ou mais para navegar.

Além dos tradicionais Teatro Amazonas e Encontro das Águas, o Mercado Adolpho Lisboa, restaurado e entregue à população e aos turistas pela Prefeitura de Manaus em 2013 também foi elencado como ponto obrigatório para os visitantes.

Para o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula, o fato de Manaus voltar ao destaque internacional, após o período da Copa do Mundo de 2014 é resultado não apenas do trabalho realizado durante o período do mundial, mas de toda a gestão do prefeito Arthur Virgílio Neto. “Manaus recebe esse destaque com muita honra, pois é reflexo do trabalho contínuo e colaborativo que a Prefeitura de Manaus vem realizando desde o início desta gestão. Com o número de voos e de passageiros no mundo inteiro, ser capa da revista da American Airlines é a prova de que a nossa cidade está se consolidando como mais um destino turístico no mundo”, comentou.

Manaus, a Paris dos trópicos

Texto da revista na íntegra e traduzido

Manaus é admirável. Possui maravilhas naturais e artificiais. O transporte de cargas e passageiros é realizado quase que exclusivamente a bordo de embarcações através da selva. É aqui a grande encruzilhada da gigantesca floresta amazônica.

Tranquilamente aninhado no voo da American Airlines entre Miami e Manaus, recordei-me de minha primeira vinda a esta cidade a serviço da Marinha do Brasil. Foi há 38 anos a bordo de um sacolejante catalina da Força Aérea Brasileira, que levou quase um dia inteiro para percorrer a distância entre a cidade de Belém, na costa atlântica, e Manaus, com várias paradas ao longo do caminho. Em um Boeing 767-300, com todas as amenidades inerentes, a experiência tornou-se bem distinta de minha primeira chegada ao coração da Amazônia. A sensação, no entanto, é a mesma: o calor tórrido que paira no ar, pesado e espesso, e a peculiar arquitetura da cidade parecem um oásis na riqueza visível da floresta primeva.

O ambiente carnavalesco leva o povo às ruas. Senti-me um filho pródigo adotado pela assim chamada Paris dos Trópicos cujo nome significa “mãe dos deuses” na língua dos barés, primeiro povo nativo a habitar a região. A cidade era então, e ainda é, amiga e agradável, literalmente cheia de calor em todos os sentidos; um importante porto de mar e o melhor ponto de partida para um grande número de excursões pelas hidrovias da mata. Pouco mais de dois milhões de pessoas vivem aqui, cercadas em todas as direções por uma selva impenetrável.

 O encontro das águas

O Rio Amazonas costuma ser chamado de “Rio Mar”. O número total de afluentes ainda não é conhecido, porém são mais de 200 só no Brasil. Dezessete dos maiores medem mais de 1.600 km de extensão. A calha principal é navegável para transatlânticos de praticamente qualquer tonelagem ao longo de dois terços de seu curso, o que torna Manaus o porto marítimo mais afastado do oceano do que qualquer outro no planeta.

A morna Manaus encontra-se às margens do Rio Negro a poucos quilômetros da foz, onde ele desagua no caudaloso Solimões que muda de nome para Amazonas exatamente naquele ponto. Na confluência desses rios majestosos, nos deparamos com um fenômeno extraordinário, conhecido como “encontro das águas”.

Os dois rios correm lado a lado ao longo numa área cuja largura se expande por quase oito quilômetros. As águas do Negro, embora límpidas, são escuras como breu e as do Amazonas, barrentas. Devido a diferenças de temperatura, densidade e velocidade das águas, os rios se separam por uma linha bem definida. Assim permanecem sem se misturarem ao longo de cerca de seis quilômetros, gradualmente misturando-se em redemoinhos turbulentos. É uma visão impressionante! Mal se pode acreditar nos próprios olhos, mesmo para mim, um velho marinheiro. Quando eu era hidrógrafo na Marinha do Brasil, tive oportunidade de cruzar o “encontro das águas” em ocasiões incontáveis de ida e volta. Eu ficava absolutamente deslumbrado todas as vezes. Em sua visita a Manaus, não deixe de reservar um tempo para esse passeio único na vida.

 Europa na selva

Vista como uma Paris nas selvas, Manaus deve a alcunha ao boom da borracha, que ocorreu entre 1879 e 1912. As proporções foram épicas. De tal forma que a elite local conseguiu criar uma cidade europeia em miniatura no meio da maior floresta tropical do mundo.

A mata indomável estava a exigir um espírito igualmente indomável por parte daqueles que realizavam feitos magníficos de engenharia. Uma dessas maravilhas é o porto flutuante de Manaus, conhecido como The Roadway. Construído em 1903 pelos ingleses, foi concebido para acomodar as variações anuais do nível das águas. O rio sobe e desce mais de 10 metros entre as estações. A imensa estrutura do porto foi pré-fabricada em Liverpool, Inglaterra, e transportada — seção por seção — para Manaus há mais de 110 anos.

Os barões da borracha eram tão ricos que também podiam pagar os luxos do velho continente. O Teatro Amazonas, cópia da Ópera de Paris, é a maior e mais duradoura evidência deixada dos dias em que Manaus era uma das cidades mais ricas do Brasil. Arquitetos e construtores ergueram esse teatro neoclássico a partir de materiais quase exclusivamente trazidos da Europa. A cúpula é decorada com 36 mil azulejos nas cores da bandeira brasileira; o interior inclui as suas lâmpadas Tiffany, um maciço candelabro dourado e uma quantidade de obras de artistas parisienses sobre as paredes e o teto. Uma ida ao Teatro Amazonas equivale a uma viagem de volta à Belle Époque.

Outro pedaço precioso da História do Brasil é o Palácio Rio Negro.  Este edifício imponente, com seu ar vitoriano é hoje residência e gabinete do governador.

As vistas, os sons e os gostos

A culinária local é rica, variada e ubíqua. O tucunaré é uma espécie de peixe tropical de água doce de excelente sabor. O tambaqui é típico da área; gigantesco, tão grande que se lhe podem comer as deliciosas costelas carnudas. O pirarucu, ainda maior que o tambaqui, é o bacalhau dos rios e lagos amazônicos; está entre os maiores peixes do mundo, pois atinge um comprimento de 3 m e um peso de mais de 180 kg. É nativo da Amazônia. Degustá-lo alhures em casas especializadas não sai barato. Então, é aproveitar enquanto estiver em Manaus!

Em quase toda parte, é possível comer tapioquinha, uma pequena panqueca glutinosa feita de fécula de mandioca, normalmente com manteiga e recheada de tucumã e queijo coalho; o tacacá, meu caldo favorito, tipicamente amazônico, é um mingau feito da goma da mandioca, temperado com tucupi, camarão, alho, sal, pimenta etc.; pamonha é uma espécie de bolo feito de milho verde com condimentos, cozido em folha de bananeira; bolo de macaxeira, saboroso, translúcido e glutinoso é feito de mandioca. O caldo de cana-de-açúcar é o “refrigerante” favorito entre os manauaras.

A região, é claro, também é conhecida por muitas frutas exóticas que são uma festa para os olhos, como o cupuaçu o açaí, e, o bacuri.  Caso se queira beber um drinque, há muita libação no centro da cidade, próximo ao Teatro Amazonas.

Às terças e sextas, centenas de pessoas se reúnem em torno de quiosques no chamado Calçadão da Suframa. Alguns têm música ao vivo. Outra opção é a “Estrada do Turismo”, uma série de pontos de diversão noturna na Ponta Negra ao longo da estrada para o aeroporto.

Há tantas coisas mais para se ver, mas é preciso voltar. Já bem acomodado no avião, enquanto redijo este artigo, sinto ainda o peso do fascínio exercido pela Amazônia. Mal posso esperar para rever Manaus.

Hospedagem

A 46 quilômetros de Manaus, o hotel Ariaú Amazon Towers oferece o máximo em “eco férias”; desde navegação pelo Rio Amazonas até natação com botos (golfinhos de água doce) cor-de-rosa.

Flutuando no Rio Negro, a 52 km distante de Manaus, o Amazon Jungle Palace Hotel têm apartamentos com vista para o rio. Oferece uma variedade de atividades, tais como a observação de aves, canoagem, danças e rituais indígenas. Uma modesta alternativa é o Go Inn Hotel, um hotel localizado bem no coração da cidade.

Passeios

Aqui estão as melhores opções da confiável Amazon Explorers, uma empresa familiar há 50 anos em atividade neste campo, cujo proprietário, Eury Barros, é meu amigo do peito:

City Tour Histórico — Veja o Teatro, o Centro Histórico, a Praça São Sebastião, o Mercado e o Palácio Rio Negro.

O Encontro das Águas — Passeio fluvial com um guia bem-informado, divertido e inteligente, Aliomar “Ali” Barros. Ali é o máximo.

Belezas do Rio Negro — Passeio fluvial ao Museu da Borracha, uma visita à comunidade dos tatuios, que inclui uma apresentação ritual. Interação com golfinhos de água doce no Lago Acajutuba. Almoço (culinária local) no restaurante Taperebá na vila de São Tomé.

Presidente Figueiredo e as Cachoeiras — Um passeio por terra para a cidade de Presidente Figueiredo. Nas maravilhosas quedas, pode-se nadar à vontade. Almoço regional.

Fauna e Flora — O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia continua a ser um grande destino para um passeio rumo ao mundo do desconhecido.

 Gastronomia

No Canto da Peixada, a comida é apetitosa, e os preços são razoáveis. A Medalha de Ouro “Guilherme Moreira” foi entregue ao empresário Aldenor Ernesto de Lima, proprietário, em homenagem aos 40 anos de bons serviços contínuos.

O restaurante Tambaqui de Banda é outra ótima opção para quem deseja provar os pratos tradicionais da região.

O Banzeiro é aonde se deve ir para comer um delicioso prato de pirarucu.

Compras

A Galeria Amazônica é um local fantástico para se encontrar artesanato genuíno.

Já na loja Artesanato da Amazônia, acham-se, inclusive, máscaras indígenas e armas artesanais.

O Mercado Adolfo Lisboa é uma imponente construção de ferro fundido; trata-se de uma cópia menor do famoso mercado Les Halles, em Paris.


Equipe Viva Manaus

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