Tradição e ritmo do sertão invadem Festival Folclórico do Amazonas

Foto: Ingrid Anne/Manauscult Festival Folclórico

Nem só boi-bumbá e quadrilhas dominam a programação do 59º Festival Folclórico do Amazonas: o ritmo do sertão nordestino também marca presença na arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, seja no compasso do baião, xaxado, xote ou do coco. A partir desta segunda-feira, 20, seis grupos de danças nordestinas se apresentam ao longo da semana, na disputa pelo título da categoria Prata do festival, coordenada pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult). O 59º Festival Folclórico do Amazonas é realizado pela Prefeitura de Manause pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Em suas apresentações, os grupos mostram que a música nordestina está nas raízes da cultura nortista, como apresentará o grupo Cabras de Lampião, um dos mais antigos na competição, fundado em 1960, no bairro da Cachoeirinha. O atual coordenador do grupo, Pedro Vilhena, conta que o gosto pela dança já passou dele pros filhos, que se envolvem desde cedo no grupo – e até os netos pequenos já têm o ritmo do baião no pé. “Essa já é a quinta ou sexta geração que leva essa cultura nordestina pra frente, dando continuidade ao trabalho do Cabras de Lampião”, conta Pedro.

Hoje com sede na Comunidade da Sharp, no bairro Armando Mendes, zona Leste de Manaus, a dança agrega brincantes até do outro lado da cidade, de bairros como a Praça 14. Para o festival deste ano, o grupo pretende levar cerca de 120 participantes na representação do tema “As Mulheres no Sertão dos Cabras de Lampião”. “Pretendemos contar a história de três mulheres que foram as pioneiras do cangaço em Manaus como as Marias Bonitas dos festivais nas décadas de 70, 80 e 90: são a dona Bia, a dona Leila Mara e a dona Socorro Trindade. A partir delas, queremos também falar sobre a força da mulher nordestina”, destaca o coordenador do grupo.

Provando que a dança também é questão de família, o filho de Pedro, Rogério Vilhena, já assumiu a responsabilidade de criar os figurinos usados pelos Cabras de Lampião, confeccionados num ateliê improvisado em casa. “Trabalho já nessa área há doze anos. Quem me ensinou foi justamente a dona Bia, uma das homenageadas, quando fazíamos isso no quintal dela. Depois, eu assumi e, agora, a cada ano procuramos evoluir e aderir coisas novas, sempre se superando”, afirma. Já no repertório, Fagner, Elba Ramalho, Zé Ramalho e o clássico Luiz Gonzaga devem dar o tom da apresentação do grupo, que acontece na quinta-feira, 23, às 22h15.

Ao som de Gonzagão

O Rei do Baião também é presença indispensável na apresentação do Nordeste Sangrento, batizado com esse nome por conta de uma das músicas do cantor e compositor pernambucano. Com mais de 40 anos de existência, o grupo foi fundado em abril de 1964 no bairro da Raiz, e hoje está sediado no bairro do São José, também na zona Leste.

Seu Edil Lira, coordenador do grupo, já é ’figurinha’ conhecida nos festivais de Manaus, por cantar e soltar um vozeirão comparado ao próprio Luiz Gonzaga. “Temos nossas próprias letras também, nosso hino, nossas músicas, e, claro, muito Gonzagão. Já tive até muita música lançada e copiada por outros grupos. Fazemos uma dança nordestina legítima, que representa a região com o som e o ritmo de lá”, ressalta Edil. Para o festival deste ano, o grupo leva como tema a seca nordestina. A apresentação do Nordeste Sangrento está marcada para a quarta-feira, 22, a partir das 22h15.

Cangaço com sangue nordestino

O primeiro dos grupos a se apresentar, na noite desta segunda-feira, 20, às 21h35, o Cangaceiros de Aparício teve seu nome emprestado de um dos personagens do livro “Cangaceiros”, de José Lins do Rego. “Eu queria um nome original, e encontrei por acaso folheando o livro num sebo no Centro”, conta Marcos Aguiar, fundador e coordenador da dança, além de costureiro, desenhista e “de tudo um pouco”, como ele mesmo diz. “Eu procuro falar muito sobre o nordeste, apesar de ser amazonense. Meu gosto pela dança surgiu quando eu era brincante em outro grupo. Por isso, já dizem até que eu sou caboclo com sangue nordestino”, brinca Marcos.

O Cangaceiros de Aparício pretende levar a beleza do mandacaru para a arena este ano. A flor do sertão que só brota à noite é o tema do grupo, que promete surpreender nas fantasias feitas sob medida para o tema. O “Xote das Meninas” de Luiz Gonzaga já está confirmado como um dos destaques da apresentação.

Diversidade cultural dos bairros

Além das danças nordestinas, outros grupos folclóricos da categoria Prata começaram a se apresentar desde a última sexta-feira, 17. As apresentações se estendem até o dia 26, com a Mostra Não Competitiva. Nos primeiros dias de apresentações, os grupos folclóricos mostraram muita energia e superação das dificuldades para entrar na arena do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, resultado do trabalho de meses de preparação.

A primeira quadrilha de duelo a se apresentar na Categoria Prata, Espiões na Roça, do bairro Monte das Oliveiras, foi um bom exemplo disso. Com uma bela apresentação, o enredo tradicional das quadrilhas de duelo ganharam emoção e dinamismo nas encenações do grupo. “Foi muito difícil mas estamos aqui para mostrar nosso trabalho”, disse o apresentador da quadrilha, Ramon Furtado enquanto organizava os brincantes na entrada da arena.

Nos primeiros dias da Categoria Prata, grupos de dança do café, cacetinho, quadrilhas, tribos, danças tradicionais e alternativas ocuparam o Centro Cultural do Povos da Amazônia com as cores e alegria do folclore dos bairros de Manaus. A partir desta segunda-feira, 20, garrotes e danças nordestinas integram a programação do 59º Festival Folclórico do Amazonas.

O Festival é realizado através de parceria entre a Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC). A Manauscult coordena a categoria Prata, enquanto a SEC é responsável pela Ouro.

Confira a programação completa da noite desta segunda-feira.

SERVIÇO

O quê: 59º Festival Folclórico do Amazonas

Quando: até 26 de julho, a partir das 20h

Onde: Centro Cultural dos Povos da Amazônia (CCPA) – Distrito Industrial

PROGRAMAÇÃO – 20/07 (segunda-feira):

20h às 20h45 – Garrote Regional Renascer

20h50 às 21h30 – Quadrilha Tradicional Olinda na Roça

21h35 às 22h15 – Dança Nordestina Cangaceiros de Aparício

22h20 às 23h – Quadrilha Cômica Fiapos na Roça

23h05 às 23h45 – Quadrilha Tradicional Meu Reino na Roça

23h50 às 00h30 – Quadrilha Tradicional Explosão Junina na Roça

 

 

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