Mesa-redonda apresenta bastidores da exposição sobre Ária Ramos

Foto: Ingrid Anne/Manauscult Mesa redonda no Paço da Liberdade

Quem foi ao Paço da Liberdade, Centro Histórico de Manaus, na manhã de sábado, 20, pôde conhecer um pouco mais sobre a produção da exposição “A Última Canção”, inspirada na vida e morte da violinista Ária Ramos, assassinada em 1915.

Comandada pelos quatro fotógrafos organizadores da exposição, a mesa-redonda discutiu o processos de produção, desde o figurino à seleção das imagens, história de vida de Ária Ramos, além da Manaus do fim do século XIX e o carnaval da Belle Époque.

O fotógrafo, pesquisador da biografia de Ária Ramos e idealizador do projeto Tácio Melo, acompanhados dos demais fotógrafos da exposição Rodrigo Tomzhinsky, Bárbara Umbra e Thaís Tabosa, falaram sobre o processo de produção que resultou em 24 fotos expostas. Presente desde o início do processo, Bárbara falou sobre a diferença de olhar que cada fotógrafo teve.

“Em 2011, Tácio me ligou e falou sobre a sepultura de uma mulher que ele achava ter sido uma artista. De lá para cá começaram as pesquisas. Ano passado tudo avançou, e Thaís e Rodrigo foram convidados. O mais interessante de tudo é que eram quatro fotógrafos, no mesmo dia, com a mesma modelo e cada um de nós teve um olhar diferente e isso ficou sensacional”, comentou.

Convidado para falar sobre a história da violinista, José Cardoso, pesquisador da biografia de Ária e vice-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) contou sobre sua relação com a história e sobre o quanto a violinista estava à frente do seu tempo.

“É emocionante falar sobre Ária Ramos. Há pelo menos 25 anos pesquiso sobre ela. Quando eu era criança, ao visitar o cemitério, ouvi minha mãe falar, ao cair da noite, que era pra irmos embora antes que o violino começasse a tocar. Aquilo me intrigou por muito tempo, mas naquela época, criança não se metia em assunto de adulto. Tempos depois, perguntei a minha mãe o que ela quis dizer sobre aquilo, e ela me contou a história de Ária”, relatou Cardoso, que chegou a conhecer pessoas que conviveram com a jovem.

Responsável pela maquiagem, Cecy Procópio disse que buscou mostrar uma Ária moderna, sem fugir da história, trabalhando em conjunto com os fotógrafos. “Busquei um olhar marcante, porém poético”, enfatizou a maquiadora.

Curador do Paço da Liberdade, Óscar Ramos, disse que “A Última Canção” dá o significado e importância que a Ária tem. “Ela é um componente da história de Manaus. Uma lenda. E essa exposição é uma pequena joia. Fiquei impressionado e feliz. Ária foi uma grande mulher aos 18 anos”, frisou.

Paço aberto

O vice diretor-presidente da Manauscult, José Cardoso, disse que o Paço da Liberdade está de portas abertas para receber outras exposições como a de Ária Ramos, que retratem a vida de personagens que construíram a história de Manaus. “A ideia agora é que o Paço traga outros personagens para que as pessoas conheçam e resgatem a nossa própria cidade”, destacou.

A exposição “A Última Canção” está em cartaz no Paço da Liberdade, Praça Dom Pedro II, s/n, Centro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30, e aos sábados até às 13h.

Texto: Mônica Figueiredo

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