Ronaldo Jacaré acende Pira Olímpica na Ponta Negra

Foto: Divulgação Ronaldo Jacaré

Mais de 170 condutores revezam a Chama Olímpica em Manaus neste domingo, 19/6. Entre o time de eleitos para carregar a cobiçada Tocha das Olimpíadas Rio 2016 estão celebridades como o lutador de MMA Ronaldo Jacaré, que vai chegar com a Chama na Ponta Negra, o piloto Antonio Pizzonia, o ex-atleta Robson Caetano, além de figuras populares como o levantador de todas David Assayag, o cantor Nunes Filho e outras dezenas de personalidades da história e da atualidade do esporte, artistas ou pessoas envolvidas em iniciativas de relevância social para o Estado.

O revezamento da Tocha em Manaus também vai evidenciar histórias peculiares de Manaus, como o caso do refugiado haitiano Abdias Dolce, que encontrou em Manaus uma nova oportunidade e reconstruiu sua vida. Abdias vai passar a chama olímpica para a pessoa a quem mais deve gratidão desde que chegou na cidade, em 2010: o Padre Valdecy Molinari. Foi o padre que recebeu os primeiros haitianos na cidade e que até hoje desenvolve um trabalho social que já recebeu mais de oito mil refugiados até hoje.

Outras histórias marcam o Revezamento da Tocha na cidade. É o caso inusitado do revezamento entre mãe e filha. A atleta Rebeca Rodrigues vai passar a chama para a filha, a ginasta Hana Graziella. Rebeca é lutadora de jiu-jitsu, representou o Amazonas no último campeonato brasileiro de Jiu Jitsu em São Paulo, onde foi medalha de prata. A atleta acumula outros títulos, mas divide o tempo entre as lutas e, como não tem patrocínio, trabalha como garçonete em um bar.

Para conseguir dinheiro para disputar os campeonatos, ela vende rifa, faz brechós, e tudo o que possa lhe proporcionar a participação nos eventos esportivos. Como ela não tinha com quem deixar a filha, quando ainda criança, ela levava a menina para os treinos. A menina começou a treinar e se destacar, sendo também campeã na modalidade dela. Hana, a partir de uma iniciativa da escola, começou a treinar ginástica olímpica e como também se destacou, ganhou uma bolsa de estudo em uma escola particular e hoje representa a equipe da escola em campeonatos. Hana é uma atleta diferenciada e até hoje compete pelo jiu-jitsu e pela ginástica olímpica.

Confira mais alguns condutores da Tocha Olímpica em Manaus e os locais onde participarão do Revezamento:

Abdias Dolce – Refugiado, chegou ao Brasil em 2011 vindo do Haiti. Foi acolhido pela paróquia de São Geraldo, que desde 2010 recebe os recém-chegados do país. Reconstruiu sua vida em Manaus. Trouxe a namorada Regenie Michel Dolce em 2014, com quem se casou ano passado. Hoje, trabalha em uma casa de câmbio e tem filho de oito meses chamado Akeen George Michel Dolce. Participará do revezamento na avenida Constantino Nery, em frente à Manausprev.

Antônio Pizzonia – O amazonense Antônio Pizzonia começou sua carreira aos 16 anos. Em 2003, conseguiu chegar até a Fórmula 1, a mais popular modalidade de automobilismo do mundo, fazendo parte da seleta lista de brasileiros Pizzonia fez vinte corridas na Fórmula 1 e marcou 8 pontos no total. Atualmente o piloto está na Stock Car.

Augilmar de Oliveira – Gilmar Popoca, ex-jogador de futebol, foi Camisa 10 da Seleção Brasileira e medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Cérebro da equipe, sagrou-se artilheiro da competição com cinco gols, tendo sido eleito o melhor jogador pelo Comitê Olímpico Internacional. Nascido em Manaus, integrou times como o Flamengo, Botafogo, Santos e São Paulo. Hoje, atua como treinador da sub-17 na categoria de base do Flamengo e integra o seu time de Masters. Talentoso e de extrema habilidade técnica, é um espelho para os meninos que sonham em brilhar nos campos, mostrando que, com talento nato, esforço e dedicação, é possível se tornar um grande jogador de futebol.

Celdo Braga – Nasceu no município de Benjamin Constant e desde cedo deu sinais de seu talento artístico, sobretudo para as áreas musical e poética. A trajetória musical de Celdo Braga foi marcada pelo trabalho que desenvolveu junto ao grupo Raízes Caboclas, projeto artístico-musical centrado na temática amazônica. Em 2007 o músico deixou o Raízes Caboclas para se dedicar a outro projeto, o “Imbaúba”, com foco ambiental. Conduzirá a tocha pela Nissan

David Assayag – Deficiente visual, David é dono de uma das mais belas vozes do Amazonas e um grande nome da música regional, especialmente das toadas de “boi-bumbá”, tradicional ritmo local, com o qual ficou famoso ao gravar a toada “Vermelho” ao lado de Fafá de Belém. Na juventude David sofreu um acidente enquanto tomava banho em um lago perto da sua casa, em Parintins, que o levou a ficar cego, no entanto superou todas as dificuldades para ser um reconhecido artista amazonense. Participará do revezamento após a Ponte Rio Negro, na Rua Coronel Cyrillo Neves, entre os números 90 e 122.

Diego dos Santos Dias – Criou no bairro onde mora o projeto social Nova União Kids para atender crianças em situação de risco. Dá aulas de jiu-jitsu de forma lúdica, utilizando o esporte como ferramenta de inclusão. Colocou como regra que só poderia participar do projeto o aluno que apresentasse o boletim escolar. Com persistência, já conseguiu levar mais de 15 crianças para lutar campeonatos em outros estados. É um condutor Bradesco.

Drean Braga – Nascido e criado na aldeia indígena 3 Unidos no Baixo Rio Negro, aprendeu a flechar com o pai e sempre gostou de caçar na floresta. Foi um dos participantes do projeto Arqueria Indígena, criado pela Fundação Amazonas Sustentável para revelar indígenas com potencial inato para o esporte. Depois de participar de uma peneira com mais de 80 indígenas ele foi um dos selecionados para compor um time que passou a treinar de forma profissional na Vila Olímpica de Manaus. Com menos de um ano de treinamento foi medalha de bronze no Campeonato Brasileiro Juvenil na equipe mista. No início do ano foi chamado pelo técnico da seleção brasileira de tiro com arco para treinar com a equipe durante 6 meses. Atualmente está em sétimo lugar no outdoor e segundo lugar no Indoor no ranking brasileiro (recurvo masculino Juvenil) e tem inspirado centenas de indígenas a resgatar a cultura do tiro com arco e a auto estima de seu povo.

Eduardo Piccinini – O nadador Eduardo Piccinini foi o primeiro atleta do Amazonas a disputar uma edição de Olimpíada, em 1992, em Barcelona. Nos Jogos Pan-Americanos de 1995, em Mar del Plata, Piccinini foi medalha de prata nos 100 metros borboleta e nos 4x100m livres. Na prova dos 4x100m medley, ganhou a prata batendo o recorde sul-americano da prova, com a marca de 3m43s93, junto com Gustavo Borges, Rogério Romero e Oscar Godói.

Eliana do Carmo – É a primeira mulher eleita como Presidente da Cooperativa de Produtores de Fibras (COOMAPEM) localizada no município de Manacapuru, e uma das maiores defensoras dessa atividade na região. Trata-se de uma guerreira, que trabalha dia e noite para o engrandecimento da atividade agrícola no Amazonas. Ela é exemplo de profissional, como dirigente de Cooperativa, como cidadã e de mãe de família reconhecida por toda a comunidade.

Gustavo Santos – Gustavo está com 19 anos e nasceu na Aldeia Indígena Nova Canaã, a 80km de Manaus. Foi batizado, além do nome de registro, com o nome indígena YwYtu, do Karapãna, “Vento”. Herdou a força física dos índios Karapãnos e, com disciplina, se tornou um atleta de alto rendimento. Foi um dos participantes do projeto Arqueria Indígena, criado pela Fundação Amazonas Sustentável, parceira da Coca-Cola desde 2009, para revelar indígenas com potencial inato para o esporte. Depois de participar de uma peneira com mais de 80 indígenas, foi um dos selecionados para compor um time que passou a treinar de forma profissional na Vila Olímpica de Manaus e foi convidado a estagiar por três meses com a Seleção Brasileira de Tiro com Arco. Gustavo conta que na aldeia, com apenas 30 casas e pouco mais de 100 habitantes, não havia energia elétrica e que quando começou a praticar o tiro com arco, sequer sabia que se tratava de um esporte. É condutor a convite da Coca-Cola.

Nunes Filho – Também conhecido pela alcunha de “Príncipe do Brega”, o cantor é um dos personagens mais irreverentes, inusitados e populares de Manaus. Com cerca de 40 anos de carreira no currículo e mais de 30 CDs gravados com poucos recursos, Nunes ficou conhecido pelo sucesso “Subindo pelas Paredes”, música que até hoje é sempre acompanhada de uma coreografia peculiar do cantor. O bom humor, o espírito galante e “sedutor” e as versões de músicas conhecidas pelo povão são algumas das características que marcaram Nunes no cenário manauara. Até hoje o artista continua fazendo shows e atraindo um público que vai do mais velho às gerações mais jovens. Participará do revezamento na Av. Itaúba, entre os números 2 e 232, bairro Jorge Teixeira.

Robson Caetano da Silva – Participou de quatro Jogos Olímpicos, ganhando duas medalhas de bronze: nos 200 metros rasos em Seul 1988 e no revezamento 4x100m, em Atlanta 1996.

Roberto Gesta de Melo – Atual presidente da Confederação Sul-Americana de Atletismo, Roberto Gesta começou seu envolvimento com esporte desde a fase estudantil, liderando a Federação Amazonense de Esportes Universitários. Hoje é considerado o maior colecionador de relíquias olímpicas do mundo, perdendo somente para o Museu Olímpico do Comitê Internacional. É detentor da única medalha de ouro fabricada para os Jogos Olímpicos não realizadas devido a I Guerra Mundial. Roberto Gesta é também relíquia da terra, com seu ar descontraído, transparece a experiência de um apaixonado pelo esporte, refletido na sua coleção de medalhas.

Sandro Viana – Filho de professora, sempre teve amor pela pratica esportiva, e experimentou diversos tipos de esporte como futebol, basquete, natação, jiu-jistu e até triatlo.  Mais foi no atletismo iniciou sua carreira, aos 24 anos foi convidado a fazer um teste no CETAN, na Vila Olímpica de Manaus. Em sua primeira competição oficial, o Campeonato Amazonense, conquistou seis medalhas de ouro. A dedicação o levou a se tornar o homem mais rápido do Brasil em 2007. Disputou campeonatos Sul-Americanos, foi ouro nos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 e também em Guadalajara 2011. Em 2008, disputou os Jogos Olímpicos em Pequim. Condutor convidado Coca-Cola.

Simplício Campos – As quatro medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, conquistadas pelo paratleta amazonense Simplício Augusto Menezes Campos, no Circuito Loterias Caixas Paralímpico de Natação, Atletismo e Halterofilismo, é o resultado de seu esforço para alcançar o índice para os Jogos Paraolímpicos, Londres 2012. O amazonense disputou as provas de natação na categoria S8 (pontuação por grau de deficiência). Nas piscinas, Simplício Campos mostrou toda sua categoria ao conquistar as medalhas de ouro no revezamento 4x10m medley; 4x100m livre; 100m borboleta e 100m peito. Na prova dos 200m medley veio a prata e o bronze nas disputas dos 50m livre e 100m costas.

Tasso Alves – Há mais de 20 anos no esporte, Tasso Alves é figura conhecida da luta olímpica amazonense. No ano passado, ele conquistou um histórico quinto lugar no Mundial de Beach Wrestling, na Croácia.

Padre Valdecy  Molinari  – Desde que os primeiros imigrantes haitianos começaram a chegar em Manaus, em 2010, o padre Valdecy engajou-se na acolhida dos refugiados, que não tinham para onde ir e nem a quem recorrer. Com recursos muito precários ele mantém o apoio até hoje aos refugiados, incluindo uma creche exclusiva para filhos de imigrantes haitianos. A creche é mantida por doações e por uma fábrica de picolé criada por ideia do padre. Receberá a chama de Abdias Dolce na avenida Constantino Nery, próximo ao Parque dos Bilhares.

Willacym Miguel de Souza Maia – Miguel é um dos principais nomes da cultura Hip Hop no Amazonas. Cadeirante, ele é coreógrafo de expressões corporais, tem uma relação de mais de 20 anos com a cultura do Hip Hop e realiza atividades com jovens da Zona Leste de Manaus. A última foi o projeto Parada Final onde fizeram várias intervenções dentro dos terminais de ônibus da Zona Leste e Norte. Participará do revezamento na Av. Constantino Nery, 917, São Geraldo, próximo à Auto Escola NB.

 

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