‘A Paixão Segundo Adélia Prado’ é atração no Teatro Amazonas

Foto: Andrea Rocha/Divulgação A Paixão Segundo Adélia Prado

De volta aos palcos de Manaus, a atriz Elisa Lucinda mergulha no universo poético de uma das maiores poetas da literatura brasileira em “A Paixão Segundo Adélia Prado”, espetáculo que será encenado no Teatro Amazonas em duas sessões, neste sábado (11), às 20h, e no domingo (12), às 19h. As apresentações em Manaus contam com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura, e têm patrocínio do projeto Vivo EnCena, da empresa Vivo.

No espetáculo, que comemora seus 30 anos de carreira e os 20 anos de seu encontro com a diretora Geovana Pires, Elisa Lucinda traduz a poeta mineira num roteiro criado para revelar sua noção pagã e sacra do pecado e desnudá-la por obra de sua própria palavra.

Sob a direção de Geovana, a montagem revela uma Adélia que muitas vezes não se mostra logo à primeira olhada, mas está essencialmente presente na sua poesia de carne e de sangue. Por conta do sacro véu que parece cobrir a marca de sua obra, não se vê seu particular e escancarado erotismo, seu desejo e muito menos sua disponibilidade amorosa, seu romance, seu olhar por debaixo da própria saia e das da sua geração, regida pela imagem da Virgem e o extremo desejo reprimido.

Sem tratar do tema na obviedade e sem pretender discursos panfletários, nesta peça, por meio de seus inúmeros elementos cotidiano e femininos, é mostrada a sexualidade desta mulher que traz dentro dela a religiosa pecadora a quem Elisa Lucinda dá vida, com a música de Carlos Malta, a luz de Djalma Amaral, figurino de Madu Penido, cenário de Bia Junqueira e expressão corporal de Duda Maia.

No espetáculo, o delicado mosaico, cenicamente ancorado na produção de imagem que uma palavra provoca, interage também com as imagens audiovisuais que compõem parte do cenário real e subjetivo onde desfilam o desejo e a fé dessa senhora híbrida. Da mesma maneira em que no palco a mulher desejante se expõe em suas profundezas dentro do fundamento sacro, a plateia se vê retratada nos seus bastidores, naquilo que não se conta.

A produção traz ainda uma abordagem da música religiosa e regional de Minas Gerais tão presentes na obra de Adélia Prado, tanto pelas citações nos poemas quanto pela musicalidade de sua poética. Cantora com um timbre muito peculiar, grave, Elisa Lucinda tornou-se excelente intérprete devido à sua intimidade com as palavras. 

Adélia Prado

Considerada a maior poeta viva da literatura moderna brasileira, Adélia Prado, com elegância e sofisticada linguagem, traça um tear misterioso sobre o simples cotidiano e nos devolve o conteúdo dos dias enriquecidos pelo seu olhar. E assim nos traduz. Pelos seus versos vamos à missa e dela voltamos com mesma fé e a mesma safadeza de tantos seres humanos. Sua noção de pecado é inescapável. Atua em nossa contradição, nos põe diante de nós e muitas vezes, produz alegrias no que seria punição.

No entanto, sua loucura lúcida traz a verdade humana, seus segredos, o recato de sua época, a moralidade de uma cidade do interior que tanto fotografa um interior de Minas Gerais, com suas fofocas e vizinhos, como no nosso interior, nossa alma cheia de medos e coragens em volta da própria sorte.

Geovana Pires

É atriz, se formou pela CAL em 2002, fundou em 2008 com Elisa Lucinda a Casa Poema e a “Companhia da Outra” desenvolvendo a narrativa poética no palco. Viaja o Brasil inteiro apresentando recitais, espetáculos e oficinas cuja estrela é a poesia. Apresenta-se com os espetáculos “Um recital à brasileira” e “A natureza do olhar”, de Fernando Pessoa, sob a supervisão de Amir Haddad, com quem trabalhou fazendo a assistência e inúmeras peças: “O Mambembe”, “O castiçal” e “Dar não dói, o que dói é resistir”.

Iniciou sua carreira no Tablado em 1996, onde fez “O boi e o burro a caminho de Belém”, dirigido por Bernardo Jablonski, “A alma boa de Setsuan”, dirigido por Guida Vianna. Sob o olhar de Lionel Fischer estrelou “Aprendiz de feiticeiro”.

Como diretora estreou em Portugal com o espetáculo “A fúria da beleza”, protagonizado e escrito por Lucinda. Em 2010 escreveu e dirigiu a peça “Caeirinho e a Carta da Terra”. Em 2011 dirigiu o show “A letra que eu canto” com Elisa Lucinda, João Carlos Coutinho e Jaime Alem.

Serviço

O quê: Espetáculo “A Paixão Segundo Adélia Prado”

Quando: 11/03 (sábado), às 20h, e 12/03 (domingo), às 19h

Onde: Teatro Amazonas – Largo de São Sebastião, Centro

Entrada: Ingressos para plateia a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia); frisa a R$ 40 (int.) e R$ 20 (meia); e 1º, 2º e 3º pavimentos a R$ 30 (int.) e R$ 15 (meia). Estudantes, aposentados e idosos a partir de 60 anos têm direito a meia-entrada

Classificação etária: 12 anos

Bilheteria: (92) 3232-1768 (funcionamento de terça a sábado, das 9h às 17h)

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