Obra de Richard Wagner é apresentada no Festival de Ópera

Foto: Wander Luís/SEC Ensaio-Filarmônica-2---Otávio-Simões---Wander-Luis-SEC

Uma história que une o humano e o divino, disputas medievais entre cavaleiros, e um pecador em busca de sua redenção pessoal por amor. Esse é o enredo da ópera Tannhäuser, composta pelo alemão Richard Wagner, e que, mais de 170 anos após a sua estreia, ganha uma nova montagem no Teatro Amazonas, nos dias 14, 17 e 20 de maio, dentro do XX Festival Amazonas de Ópera (FAO).

Com direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro, a ópera traz no papel-título o tenor mexicano Luís Chapa. A montagem ainda tem como solistas a soprano Daniella Carvalho, a mezzo-soprano Andreia Souza, os baixos Anderson Barbosa e Murilo Neves, os barítonos Homero Velho e Arthur Canguçu, os tenores Juremir Vieira e Enrique Bravo, e o sopranista Bruno de Sá. Também integram o elenco da ópera as crianças Mayara Passos, Inaiá Vasques, Yasmim Campos e Thiago dos Santos, todos do Coral Infantil do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro.

O espetáculo contará ainda com a participação da Amazonas Filarmônica, do Grupo Vocal do Coral do Amazonas e do Coral do Amazonas. Integrantes do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, do Balé Folclórico do Amazonas e do Corpo de Dança do Amazonas também participam da produção.

Já na parte técnica, a direção cênica é assinada por Caetano Pimentel, com coreografia de Tindaro Silvano, cenários de Giorgia Massetani, figurinos de Laura Françozo e desenho de luz de Fábio Retti, além da regência, no dia 17 de maio, de Otávio Simões, maestro assistente da Amazonas Filarmônica.

A ópera

Foto: Bruno Zanardo/Secom

A peça, cujo nome completo é Tannhäuser e o Torneio de Trovadores de Wartburg, foi composta em Dresden, na Alemanha, enquanto Wagner atuava como diretor artístico do Teatro da Corte da cidade. Também autor do libreto, ele deu à ópera o primeiro nome de Der Venusberg. A composição foi finalizada em 13 de abril de 1845, e estreou em 19 de outubro daquele mesmo ano.

Baseada numa lenda medieval, a ópera situa-se na região da Turíngia, no início do século XIII, e conta a história do cavaleiro Tannhäuser, que, após passar uma temporada na corte da deusa Vênus, resolve retornar ao convívio dos mortais. Assim que retorna à Terra, encontra seus antigos amigos, que o levam a um torneio de trovadores, para quem o amor é um ideal sublime e elevado.

No torneio, entretanto, Tannhäuser acaba defendendo o amor carnal, e por causa disso, é reprimido pelos demais trovadores, sendo consolado apenas pela jovem Elisabeth, sobrinha de Hermann, Landgrave da Turíngia. Por defender o que é considerado pecado, o cavaleiro precisa ir ao Vaticano e pedir perdão ao Papa. Na viagem, deve estar de olhos vendados e pagar suas próprias penitências.

No Vaticano, entretanto, Tannhäuser não obtém o perdão do papa, que diz que é mais fácil o seu cajado florescer do que o cavaleiro obter o perdão de Deus e do homem. Frustrado, volta à Alemanha, onde se depara com Elisabeth subindo aos Céus, rogando a Deus por Tannhäuser. No final o cavaleiro morre, mas acaba obtendo o perdão divino, com o cajado do papa florescendo.

Preparação cênica

Produção Teatro Amazonas - SEC -  Manaus - Amazonas - 04/05/2017 - Bruno Zanardo/Secom

Foto: Bruno Zanardo/Secom

Cada movimento de palco, tanto dos solistas como do coro geral, é milimetricamente definido por Caetano Pimentel, diretor cênico da montagem amazonense de Tannhäuser. “É uma ópera complexa, tanto no cenário como na técnica e na música, e eu estou absolutamente impressionado que está tudo correndo muito bem”, afirma o diretor, que também montou a estreia mundial da ópera O Espelho, de Jorge Antunes, baseada em um dos contos de Machado de Assis.

“Eu não esperava, a essa altura da minha carreira como diretor cênico, dirigir uma ópera como Tannhäuser, e ainda assim, no Teatro Amazonas. Para mim, foi um voto enorme de confiança dado pelo maestro Malheiro, e é uma honra trabalhar com pessoas tão competentes, como Daniella Carvalho, Luis Chapa e tantas outras”, ressalta Pimentel.

Para o diretor, nascido no Rio de Janeiro e residente em São Paulo, é uma honra trabalhar não só com os músicos, mas com os técnicos do Amazonas. “As pessoas em Manaus são muito gentis e trabalham muito bem. Não tive problema algum com o cenário, que foi montado em um dia, e eu esperava que fosse montado em três ou quatro dias! Para mim, está sendo um prazer dirigir essa ópera aqui no Teatro Amazonas, e se eu não chorar no começo da ópera, vou chorar no final”, destaca Pimentel, que dirige Tannhäuser pela primeira vez.

Orquestra, coro e balés

Produção Teatro Amazonas - SEC -  Manaus - Amazonas - 04/05/2017 - Bruno Zanardo/Secom

Foto: Bruno Zanardo/Secom

Três corpos artísticos estão diretamente envolvidos na produção wagneriana para o Festival Amazonas de Ópera: o Grupo Vocal do Coral do Amazonas (GVCA), o Coral do Amazonas e a Amazonas Filarmônica. Sob a preparação dos maestros Zacarias Fernandes e Hermes Coelho, o Coral do Amazonas e seu “filho”, o Grupo Vocal do Coral do Amazonas, trabalham todos os dias no Ideal Clube para atingir a excelência nas partes que envolvem o coro em Tannhäuser.

“Numa montagem de ópera, costumamos agregar outros cantores para aumentar a massa sonora. O GVCA, que é um grupo novo, trabalhou alguns trechos em separado, e nos ensaios de cena, ensaiou com o Coral do Amazonas, constituindo uma única massa sonora, que é o nosso objetivo final”, completa Zacarias Fernandes, regente titular do Coral do Amazonas.

Se a preparação vocal dos dois coros para a ópera exigiu um trabalho árduo, com a orquestra não foi diferente, mesmo com o nível técnico altíssimo da Amazonas Filarmônica, segundo Luiz Fernando Malheiro, regente titular da orquestra e diretor artístico do FAO. “A dificuldade em executar uma obra de Wagner é sempre a técnica a ser utilizada para cada instrumento, a resistência necessária, o fôlego, a tensão que se precisa manter do começo ao fim numa ópera longa como é Tannhäuser”, aponta.

Malheiro pontua que não é a primeira vez que a orquestra trava contato com Tannhäuser, já tendo executado, da ópera, a ária Dich, Teure Halle, do primeiro ato da ópera. “Talvez a Amazonas Filarmônica seja, no Brasil inteiro, a orquestra que mais tocou peças de Wagner. Entretanto, em Tannhäuser, é difícil manter o interesse e a tensão dramática e continuar no espírito da coisa por quatro horas, que é a duração total da ópera. Mas a nossa orquestra é profissional e tira esse desafio de letra”, completa.

Três outros corpos artísticos estão envolvidos na concepção de Tannhäuser. Sob a orientação do renomado coreógrafo Tíndaro Silvano, o Corpo de Dança do Amazonas, o Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas e o Balé Folclórico do Amazonas trabalham há mais de um mês para preparar toda a coreografia da ópera, principalmente a do primeiro ato. “Nós escolhemos ao todo 20 bailarinos – 11 moças e 9 rapazes – dos três corpos de dança. Adaptei uma concepção que eu já tinha planejado para corpos que tivessem esse número de bailarinos”, afirma.

Silvano, que é mineiro e trabalha em Belo Horizonte, afirma que é uma realização profissional de grande porte para sua carreira trabalhar no Teatro Amazonas e no FAO. “Tenho muitos anos de dança, mas ainda não conhecia Manaus e o Teatro Amazonas, que me acompanha durante a vida inteira como um grande mito. A sensação que eu tenho é de imenso prazer e realização, de participar dessa produção fantástica e apresentar o trabalho coreográfico que desenvolvo ao lado de grandes cantores e nesse teatro maravilhoso”, conclui.

Serviço

O quê: Apresentação da ópera Tannhäuser, de Richard Wagner, no XX Festival Amazonas de Ópera
Quando: 14, 17 e 20 de maio de 2017
Hora: 19h (dias 14 e 20) e 20h (dia 17)
Onde: Teatro Amazonas
Quanto: Setor Laranja – Plateia, frisas e 1° pavimento: R$ 60; 2° pavimento: R$ 55 / Setor Amarelo – Plateia: R$ 55; Frisas: R$ 45; 1° pavimento: R$ 40; 2° e 3° pavimento: R$ 35 / Setor Roxo – 1° pavimento: R$ 25, camarote externo: R$ 5; 2° pavimento: R$ 15, camarote externo: R$ 5; 3° pavimento: R$ 15
Classificação indicativa: 12 anos


Com informações de assessoria

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