Museus do Ibram podem ser visitados virtualmente

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Que tal aproveitar o tempo após um dia de trabalho para visitar um museu e conhecer obras clássicas contemporâneas ou mesmo analisar a história do Brasil pelos olhos de grandes artistas nacionais e internacionais? A oportunidade está a distância de um clique, porque já estão disponíveis, virtualmente, mais de 1.300 itens e 18 exposições de cinco museus administrados pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

passeio virtual é possível graças a uma parceria entre o Ibram e a empresa Google, fechada no dia 3 de fevereiro deste ano. Podem ser visitados o Museu Nacional de Belas Artes (RJ); Museu Histórico Nacional (RJ); Museu Imperial (RJ); Museus Castro Maia (RJ) – formado pelos museus do Açude e Chácara do Céu; e Museu Lasar Segall (SP).

Museu Nacional de Belas Artes

É possível apreciar a coleção da Missão Artístico Francesa, que trouxe ao Brasil artistas como Jean Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay no início do século XIX, com o objetivo de criar uma escola de arte e ofícios na então capital, Rio de Janeiro. A Missão arejou o panorama do cenário artístico e instituiu o estilo neoclássico, com pinturas como o “Retrato de D. João VI” e o “Estudo para desembarque de Dona Leopoldina no Brasil” ambos de Debret, datados de 1817. O passeio virtual ao Museu ainda oferece ao público o contato com a primeira geração de artistas brasileiros formados por professores estrangeiros que aqui chegaram com Joachim Lebreton, chefe da comitiva de artistas e artesãos.

Museu Histórico Nacional

Uma das principais atrações do projeto é poder conferir os pormenores de algumas obras, que foram capturadas por uma câmera capaz de digitalizar com uma super-resolução e revelar detalhes que poderiam passar despercebidos a olho a nu. A pintura [Ex-Voto] Batalha dos Guararapes”, de 1758, é uma das 450 obras disponíveis a partir dessa tecnologia. Integrante do acervo do Museu Histórico Nacional (RJ), a pintura retrata uma das maiores batalhas ocorridas na época colonial, que culminou com a perda, pelos holandeses, do controle do território pernambucano fora do Recife.

Ao dar zoom no quadro, é possível explorar os detalhes da atuação conjunta de europeus portugueses, africanos e indígenas (formadores da população brasileira) em uma tática em meio aos contornos do Morro dos Guararapes, que serviram para criar emboscadas aos holandeses.

A partir da obra também pode-se identificar características religiosas que foram um estímulo ao combate. Segundo historiadores, a conversão dos patriotas (que viriam a dar origem aos brasileiros) ao catolicismo português permitiu a união contra os judeus e protestantes holandeses, percebidos como forasteiros. A obra ainda está relacionada à origem da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres do Monte de Guararapes, em Recife, como forma de testemunho público da força do agraciador, em uma prática da época conhecida como ex-voto.

Museu Imperial

Além de obras de arte, outros itens históricos podem ser contemplados pelas telas de celulares, tablets ou computadores. Outro projeto do Google, o We wear Culture (Nós Vestimos Cultura) transporta o fascínio do traje e insígnias usados por d. Pedro II em sua coroação, em 1841, como Imperador do Brasil para fora do ambiente físico do Museu Imperial (RJ), cujo acervo compõem.

Tecidos nobres para vestir: veludo, seda, fios de ouro, além de metais nobres e pedras preciosas nas insígnias régias. O traje real, acima de tudo, mostrava a riqueza das terras governadas pelo imperador-menino. “Falar sobre o traje usado por d. Pedro II em sua coroação, antes de mais nada, é falar sobre como a indumentária é o atributo de quem o veste: ele não foge a nenhuma regra simbólica presente no século XIX. São símbolos de poder e de afirmação do país recém-independente, que buscava lugar e respeito entre os grandes e tradicionais reinos existentes na Europa”, explica a coordenadora do projeto de digitalização do Museu Imperial, Muna Durans.

Museus Castro Maia

O perfil eclético da coleção de obras dos Museus Castro Maia (RJ) – formado pelos museus do Açude e Chácara do Céu) -, chama atenção. O colecionador e mecenas das artes Raymundo Ottoni de Castro Maya doou os imóveis e toda a coleção cerca de 17 mil itens, que abrangem tanto as artes plásticas quanto as artes aplicadas, decorativas e a bibliofilia.

Tão rico acervo pode ser visitado assim como está disposto no museu num passeio 360º a partir da ferramenta virtual pelas salas e jardins do imóvel.

Ao entrar virtualmente no museu, o visitante se depara com o retrato de Castro Maya feito pelo amigo Candido Portinari, com quem desenvolveu muitos projetos desde a década de 1940 até a morte do artista. Deste relacionamento de vinte anos resultou a acumulação de 168 originais, entre pinturas, desenhos, gravuras e ilustrações de livros. O museu é um dos maiores acervos públicos do pintor e artista plástico brasileiro.

Ao olhar ao redor e subir as escadas do museu, outras obras de Portinari podem ser contempladas: “O Sonho”, “Menino com Pião”, “O Sapateiro de Brodowski’. Considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil, foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional com obras como os gigantescos painéis de “Guerra e Paz”, presenteados à sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, em 1956.

Durante o passeio, ainda é possível conhecer peças das coleções de arte oriental, Brasiliana, arte brasileira moderna, arte popular brasileira e arte europeia dos séculos XIX e XX, além de alguns exemplares esparsos de peças clássicas e obras dos séculos XVII e XVIII.

Museu Lasar Segall

Pelo projeto ainda é possível conhecer a história do artista por trás das obras. O processo do abrasileiramento do lituano Lasar Segall é apresentado numa temática audiovisual: suas obras mais representativas e áudios explicativos de cada fase de sua produção artística perpassam desde o impressionismo europeu do começo do século XX até a “revelação do milagre da cor e da luz” com o movimento modernista após conhecer o Brasil, na década de 1920.

“A saída da Alemanha rumo ao Brasil em 1923 mudaria por completo o olha de Lasar Segall em relação a tudo que agora o cercava. As novas cores, quentes e cheias de vida, e a proximidade com o jeito apaixonado de ser do brasileiro se instalaram definitivamente na alma de Segall”, narra um dos áudios ao exaltar a influência de brasileiros renomados do movimento modernista, como Tarsila do Amaral e Mario de Andrade, sobre o trabalho do artista.

O Museu Lasar Segall (SP) está instalado nos espaços que eram de sua casa e de seu ateliê, adaptados a essa nova finalidade. O artista voltou definitivamente ao Brasil em 1932, na casa projetada por seu cunhado, o arquiteto modernista Gregori Warchavchik.


via Ministério da Cultura – Lara Aliano/Assessoria de Comunicação

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