Prefeitura conclui pintura nos viadutos da cidade

Foto: Ricardo Oliveira/Semcom

Após transformar a paisagem urbana com mais de dez artes expostas nos viadutos da cidade, a Prefeitura caminha para a finalização do último mural que integra o circuito de revitalização de passagens de nível e viadutos de Manaus. O trabalho final está sendo realizado na passagem do cruzamento da Constantino Nery com a avenida Darcy Vargas e será concluído neste domingo, 17/9.

Participando desde o primeiro mural retratado na passagem de nível na avenida Djalma Batista, próximo à Escola Normal Superior, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Raiz Campos têm dedicado suas pinturas a rememorar as raízes indígenas e seus impasses enfrentados na atualidade. Ele destaca que, com os murais, Manaus já se tornou um ponto turístico do grafite.

“No grafite existe a parte estética e emocional, mas também a parte turística. Em cidades como São Paulo e Salvador, por exemplo, muitas pessoas vão só para ver o grafite. Nossa cidade não tinha esse circuito turístico, mas agora temos”, destacou. “Além disso, precisamos ocupar esses espaços com coisas boas. Isso vai fomentando o turismo, surgem convites para mais trabalhos e provamos que somos capazes de fazer coisas grandes”, completou o artista, comentando que mais do que a obra em si, o importante é o processo de interação com as pessoas que se sensibilizam com a arte.

Para o vice-prefeito e responsável pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Marcos Rotta, a parceria com os grafiteiros gerou resultados admiráveis e benéficos à cidade. “Conseguimos modificar a paisagem desses espaços com tinta, talento e a sensibilidade dos nossos artistas. A gestão Arthur-Rotta apoia esse tipo de trabalho e vamos pensar em novos projetos para continuar criando essas galerias a céu aberto. Assim, colorimos e incluímos nossa Manaus entre as cidades do grafite, além de darmos oportunidades para novos talentos da arte manauara”, avaliou.

Conceito

O mural que Raiz finalizou na última sexta-feira, 15/9, é inspirado nos índios tembé e teve como referência a foto de Christian Braga, amigo e fotógrafo que trabalha com a causa indígena. “No contexto da arte, o índio está na frente da grafia como se fossem labirintos com um beija-flor que joga uma gota de água. Na poética pintura, a inspiração vem de que os índios estão passando por situações difíceis com o governo fechando porta às suas causas, então eles se veem num labirinto sem saída”, explicou o artista.

Já a ave, diz Raiz, faz referência à famosa fábula do beija-flor na floresta, em que a lição se trata de cada um fazer sua parte onde vive. “É de gota em gota que a chuva enche nossos rios. Se todos contribuíssemos com a causa alheia ninguém passaria por certas necessidades”, defendeu.

O artista revela, ainda, que os seus murais têm se tornado poesia nas mãos do poeta Celdo Braga. “Já fizemos parceria desde a pintura do viaduto da Djalma Batista. Eu mostro a pintura final, converso com ele sobre a ideia do mural e ele transpõe o desenho na sua linguagem da poesia que ele divulga em sua rede social”, informou.

Outro artista que começou na mesma sexta-feira a assinar sua arte com o tema “Amazônia Urbana” nos concretos da passagem de nível da avenida Darcy Vargas é Rogério Arab, presente desde os primeiros grafites em grande escala e um dos responsáveis por encabeçar a proposta dos muralismo em Manaus.

Novos voos

Realizado durante a finalização das artes no viaduto do avenida Senador Álvaro Maia, na zona Centro-Sul, o Festival Amazônia Wall deve se expandir para outras cidades do Norte. “Estamos nos organizando para tentar levar a proposta do festival para outros capitais que abrigam a Amazônia, como Porto Velho e Boa Vista”, comentou Raiz.

Idealizado e produzido por Rogério Arab, o objetivo é do evento é difundir a arte para a sociedade e também trazer a nova tendência do muralismo mundial que vem ganhando espaço na capital amazonense.


Anayra Benevides 
Seminf

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