Desfile do Grupo Especial termina com disputa acirrada

Foto: Ingrid Anne/Manauscult

Campeã do Grupo Especial em 2017 e determinada a conquistar o título novamente, a Reino Unido da Liberdade foi a quinta escola a passar pela avenida, por volta das 1h20 da manhã, na segunda noite do Desfile Oficial do Carnaval de Manaus 2018. Com o enredo “Ao Mestre, com carinho, na escola da vida eu sou o professor”, a escola celebrou o ofício de todos os professores e os desafios da profissão, e os tambores da Bateria Furiosa rufaram até o último momento do desfile.

“Essa homenagem veio, antes de tudo, porque eles são os formadores, os ‘pais’ de todas as profissões; segundo, é uma maneira de reconhecer o trabalho desenvolvido por eles na formação dos nossos jovens e também dos nossos adultos. Afinal, a educação é dada em casa, mas a formação de conhecimento acontece na escola”, explicou o vice-presidente da Reino Unido da Liberdade, João Thomé Mestrinho.

“Por isso, nosso objetivo foi resgatar o amor ao professor, principalmente numa época em que eles são agredidos e xingados, quando, na realidade, como diz a nossa letra, o professor é um anjo vestido de gente”, ressaltou.

Vitória Régia

Em seguida, às 2h40, a mãe do samba, a escola de samba mais antiga de Manaus, a Vitória Régia levou para o Sambódromo outra história de longa data: a da OAB-AM e sua importância para a garantia da Justiça e dos direitos sociais ao longo do tempo. A agremiação lembrou do patrimônio da “velha Jaqueira”, a centenária faculdade de Direito que deu origem à Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Moradores antigos da Praça 14, a família França se reuniu para participar do desfile entre as alas da escola. “A Vitória Régia tem o seu diferencial pelas cores e tradição da garra na luta, movendo todo o bairro em prol da escola”, afirmou a mãe, Eliane Lima, integrante da harmonia.

“O enredo de 2018 é um apelo para que a escola tenha o direito de sambar, e que tenha justiça perante outras agremiações”, completou o pai, integrante da bateria da escola, Elias Lima, conhecido como Kote.

Alvorada

Apurinã, lendas e magias do Purus para o mundo ver: a escola de samba Unidos da Alvorada levou toda a diversidade e exuberância da região do sul do Amazonas para a Passarela do Samba, e caprichou na produção. Até a bateria, conhecida como Superação, fantasiada de jacaré, incorporou o espírito da natureza: fez da paradinha o momento para “rastejar”. “O rio de amor que nasce no peito e faz da avenida seu leito” contagiou o público mesmo às 5h da manhã. Carros luxuosos e uma comissão de frente com coreografias complexas, que representou os povos indígenas contra os colonizadores, encantaram pela harmonia.

Passista da Alvorada há dez anos, Dayane Santos, 26, tem no sangue a herança do samba e da torcida da escola deixada pela sua mãe, recém-falecida. “Manter essa energia do Carnaval me faz recordar e manter vivos o samba e memória da minha mãe, pois aprendi com ela a amar a festa. Até ela partir, era a passista mais antiga em exercício na época”, recordou Dayane, emocionada.

Vila da Barra

O grito que inspira a liberdade que motiva a inclusão, que declarou a Independência do Brasil e que virou samba foi o responsável por encerrar a noite de Desfile do Grupo Especial em Manaus, na história contada pela Vila da Barra. O ato de gritar por direitos e as modificações que ele proporcionou na história foi retratado por meio de alas que lembraram a Inconfidência Mineira, a adoção de Libras e o combate ao racismo.

Depois de 18 anos trabalhando em escolas no Rio de Janeiro, o carnavalesco Tiago Fartto fez parte da execução da Vila Barra pelo segundo ano consecutivo. “Em Manaus, criar e desenvolver todo um Carnaval é a oportunidade em responsabilidade e felicidade que encontrei no Norte. Com um sentimento de dever cumprido, libero um grito de alegria com esse desfile”, destacou.


Gabriel Oliveira, Steffanie Schmidt e Ingrid Sanzi
Equipe Viva Manaus

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