Karine Aguiar faz palestra gratuita sobre música amazonense

Foto: Wagner Kaiowas/Divulgação

“Não mate a mata, não mate a mata a virgem verde bem que merece consideração”: você já deve ter ouvido esse refrão em algum lugar, não é mesmo? Você seria capaz de imaginar que esta música consiste no primeiro registro fonográfico independente do Estado do Amazonas? Ou, ainda, que foi este refrão o responsável pela produção de uma série toadas com temáticas ecológicas no Boi-bumbá de Parintins desde o início dos anos de 1990 até os dias de hoje?

Essas e outras curiosidades musicais serão abordadas numa palestra ministrada nesta sexta-feira, 23/2, pela cantora e pesquisadora amazonense Karine Aguiar. A palestra, cujo tema é a música do maestro Adelson Santos, é resultado de mais de 15 anos de trabalho ao lado do artista, que deu origem à dissertação de Karine, defendida no Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (PPGCASA/UFAM).

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e orientada pelo Prof. Dr. Antônio Carlos Witkoski, a dissertação “Não mate a mata: visões ambientais precursoras na obra musical de Adelson Santos” é a primeira defendida no referido programa a discutir a relação entre sons musicais, sustentabilidade e natureza a partir da obra de um compositor amazonense e, ainda, trazer inovações teóricas como a Ecomusicologia, uma teoria criada há pouco menos de uma década no eixo de intelectuais escandinavos e norte-americanos, que vêm pensando como a produção musical pode influenciar (ou ser influenciada) pela crise ambiental.

Pesquisas deste tipo já vêm sendo amplamente desenvolvidas em países da África, na Austrália, em comunidades indígenas do Xingu e também em favelas do Rio de Janeiro desde a década de 1970 e têm trazido importantes contribuições para a Ciência, identificando, por exemplo, que a saúde ambiental de determinadas comunidades tradicionais depende do quão musicalizadas elas são. Na dissertação sobre a música de Adelson, Karine também revitaliza parte da história da música popular em Manaus nas décadas de 1960 a 1990.

O trabalho sobre as canções ecológicas de Adelson Santos também contou com a contribuição da Prof.ª Dr.ª Suzel Ana Reily (uma das mais importantes etnomusicólogas da atualidade, presidente da Associação Brasileira de Etnomusicologia e autora de diversos trabalhos publicados pela Oxford University Press) e atualmente orientadora de doutorado de Karine na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde já desenvolvem um projeto de pesquisa sobre a música de uma comunidade ribeirinha no Baixo Amazonas e sua relação com o meio ambiente.

A palestra é aberta ao público em geral e irá acontecer na Escola Estadual Sólon de Lucena nesta sexta-feira, a partir das 14h. Na ocasião, também participa o próprio maestro Adelson Santos, que irá fazer uma roda de conversa sobre seus mais de 50 anos de carreira enquanto compositor e idealizador de importantes projetos no Estado como a Orquestra de Violões do Amazonas. As inscrições podem ser realizadas gratuitamente neste link.


Com informações de assessoria

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