Amazonas perde seu maior ventríloquo, Oscarino

Foto: Divulgação

Talento, humor puro, simples e crítico são as características que marcarão para sempre a trajetória do ventríloquo Oscarino Farias Varjão, enquanto pessoa e artista. Junto ao seu parceiro Peteleco, ele animava os palcos de diferentes faixas etárias, tornando-se símbolos culturais da história de Manaus.

Oscarino Varjão faleceu neste domingo, 15/04, aos 81 anos, após uma parada cardiorrespiratória. Ele estava internado no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, zona Centro-Sul de Manaus desde sexta-feira, 13/04. Ele deixa esposa e dez filhos.

A Prefeitura de Manaus emitiu nota de pesar. O prefeito Arthur Virgílio Neto e a primeira-dama e presidente do Fundo Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, lamentaram a perda.

O diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula, também lamentou o falecimento do artista. Bernardo lembrou a capacidade única de Oscarino de arrebatar públicos diversos.

Homenageado em 2016 no “Festival Curumim de Teatro de Bonecos”,  Oscarino abriu a programação encantando o público presente. Na ocasião, definiu o espetáculo como uma forma de aliar arte ao aprendizado infantil. “Fazendo perguntas de maneira divertida, as crianças aprendem brincando”, afirmou. O festival é promovido pela Companhia de Teatro Apareceu a Margarida. Além disso, é organizado pela Federação de Teatro do Amazonas (Fetam). A Prefeitura de Manaus apoia, por meio da Manauscult,

As apresentações de Oscarino e Peteleco sempre tiveram na improvisação um aspecto que conferia a dinâmica e a interação natural durante as apresentações. A dupla trabalhava aspectos e acontecimentos dos locais onde se apresentavam e de acordo com o público presente. “Nós não contamos piadas para as crianças, nós conversamos com elas”, afirmou na época.

Para o idealizador e coordenador do Festival Curumim de 2016, Michel Guerreiro, Oscarino e Peteleco foram de extrema importância para a arte.

“Nos últimos dois anos, Oscarino foi homenageado pelo Governo do Amazonas e pelo festival que coordenei, o Curumim, e nada mais do que justo: por ser o artista que foi e sempre será lembrado e pelo amigo querido, que me ligava sempre para me desejar uma ótima apresentação, quando sabia de meus trabalhos. Um senhor artista. Um senhor amigo! Que Deus o tenha!”, destaca Michel.

Já Anderson Mendes que prodiziu um filme sobre a carreira de Oscarino, o artista deixa um legal de dedicação á cultura.

“Seu legal servir de exemplo para as gerações que o acompanharam e para as gerações que virão. Ele foi um artista humilde que conseguiu viajar pela nossa região fazendo shows e levando alegria para o público. Ele conseguiu se tornar um símbolo que está perpetuado através do boneco Peteleco”,  afirma.

História

O início se deu quando Oscarino tinha apenas 20 anos, em 1957, ele criou Peteleco, um boneco negro em homenagem ao seu pai que, também era negro. Para ajudar a família, ele foi para as ruas, onde começou a fazer shows que alegravam a todos que assistiam.

Com sua popularidade crescendo, a dupla começou a ter um espaço nas rádios, onde tinham seu próprio programa ‘Escolinha do Peteleco’. Além disso, om o sucesso, o programa começou a ser transmitido não só na região Norte, mas em outras regiões do Brasil.

Entretanto, a grandiosidade de seus espetáculos ocorreu em 2000. Na ocasião, Oscarino e Peteleco apareceram em rede nacional, no Programa do Jô, pela Rede Globo de Comunicação. O sucesso deles foi instantâneo, atraindo várias parcerias com o governo local.

Além disso, em 2016, os dois receberam o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Manaus. A cerimônia ocorreu no Teatro Amazonas.

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