Projeto mescla arte, memória e consciência ambiental em Parintins

Foto: Ingrid Anne/Manauscult

Em muros e telas, ícones da criação do boi-bumbá e cenas do cotidiano de Parintins são retratados em diversos estilos, desde o mais impressionista ao abstrato e geométrico. Ao mesmo tempo, mudas de plantas e alegorias à “Mãe Natureza” lembram a importância da sustentabilidade. Essa é a ideia do projeto ‘Abraço Amazônico’, que, em sua primeira edição, busca misturar os universos da cultura e artes visuais com a ciência, biologia e consciência ambiental.

Realizado pelo Instituto Natureza Mãe (Inma), em parceria com a Diocese de Parintins, o projeto foi concebido por Juarez Lima, artista plástico do Boi Caprichoso, que pensou a ideia inicial há pelo menos cinco anos, mas só agora pôde tirá-la do papel. O ‘Abraço Amazônico’ busca mostrar ao público trabalhos de artistas de Parintins, suprindo a necessidade de um museu que exponha essas telas e conte essa história, e, ao mesmo tempo, abarca também iniciativas parceiras que abordem a sustentabilidade.

Segundo um dos organizadores, Jhonata Lobato, a proposta é que o projeto faça parte do roteiro de quem visita a cidade no Festival Folclórico de Parintins, e, portanto, que seja sempre realizado nessa mesma época. Por isso, o local escolhido para a primeira edição foi nada menos que simbólico: a Quadra Poliesportiva Pe. Silvio Miotto, no Centro de Parintins, e que, conforme a organização, foi um dos primeiros palcos do famoso festival.

Exposição

Foto: Ingrid Anne/Manauscult

A exposição principal é composta por obras de artistas da Associação de Artistas Plásticos de Parintins (AAPP), como Luan Cabral Satoré, Niio Barbosa, Djalma Rego, Afonso Filho, entre outros. Obras antigas resgatadas do acervo da Diocese de Parintins também estão expostas, e deverão passar em breve por processo de restauração.

As telas retratam desde figuras religiosas a momentos do cotidiano parintinense e, claro, nomes importantes da criação e da evolução do Festival Folclórico, como Dom Arcângelo Cerqua e Jair Mendes.

Além disso, também há surpresas dos próprios bumbás: um dos primeiros bois de pano criados pelo próprio Lindolfo Monteverde, fundador do Boi Garantido, integra a exposição, assim como um boi em miniatura manipulável criado pelos artistas do Caprichoso.

Meio ambiente

Projeto Abraço Amazônico 01/07/2018

Além da alegoria da Mãe Natureza de braços abertos, que celebra a ideia do ‘Abraço Amazônico’, o projeto também contou com ações ambientais de parceiros, como a Associação Cidadania, Social e Sustentailidade (ACSSUS) e o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), que promoveram dinâmicas com o público que visitou o local. O Inpa apresentou o projeto ‘Ecoethos da Amazônia’, que simula problemas de poluição nas áreas urbanas e rurais e instiga o público a buscar soluções.

Alunos da própria rede municipal de ensino também deixaram sua marca no evento, produzindo pinturas que passaram a integrar a exposição.

Futuro

As exposições do ‘Abraço Amazônico’ estarão abertas para visitação apenas até o dia 2/7, das 9h às 17h30, na Quadra Poliesportiva Pe. Silvio Miotto, na rua Sá Peixoto, Centro. Segundo os organizadores, a exposição deverá ser transferida e reaberta ainda este ano em outro local a ser divulgado, para a visitação do público.

Além da ideia de realizar o evento anualmente, o Instituto Natureza Mãe também já segue com o projeto de criar uma sede própria para o ‘Abraço Amazônico’: trata-se de uma instalação em forma de “tartaruga flutuante”, a ser construída com uma balsa como base. A maquete também já se encontra em exposição para o público, e a expectativa é que o projeto se torne mais um atrativo turístico e cultural para Parintins.

Foto: Ingrid Anne/Manauscult


Gabriel Oliveira
Especial para Viva Manaus

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