Primeiras escolas do Grupo Especial fazem homenagens e críticas sociais

Foto: Leonardo Leão/Manauscult Primos da Ilha - Carnaval de Manaus 2019 - Foto_ Leonardo Leão_Manauscult

Entre as cores do arco-íris, críticas sociais, homenagens a personalidades e alegorias de diamantes e amuletos, as escolas de samba do Grupo Especial começaram suas apresentações na terceira noite do Desfile Oficial do Carnaval de Manaus 2019 neste sábado, 2/3, no Sambódromo, zona Centro-Sul. Por conta da chuva, o desfile começou com atraso, por volta das 21h, e deve seguir até o amanhecer do domingo, 3.

Mesmo debaixo de chuva, a escola de samba Primos da Ilha, do bairro São Francisco, abriu a última noite de desfile levando à Avenida do Samba um apelo contra diversas formas de preconceito, com o enredo “Não queremos aceitação, queremos respeito, se quer falar de cura? Cure seu preconceito”, e buscando sua permanência no Grupo Especial. “Se é pra ser debaixo de chuva, que seja! Essa é pra lavar o preconceito”, convocou o carnavalesco da agremiação, Werly Medeiros, no aquecimento da bateria, antes de os brincantes entrarem na avenida.

Com mais de 2 mil componentes na passarela entoando versos como “Qual será a cura da estupidez? Meu samba é a luz da consciência”, a escola fez uma viagem rumo ao “tesouro no fim do arco-íris”: um mundo de autoconhecimento, sem preconceito e sem violência. O enredo deu ênfase ao movimento LGBTQ+ e criticou a chamada “cura gay”, apresentada na comissão de frente por meio de médicos e drag queens. Além disso, a Primos da Ilha também representou em suas alas figuras marcantes para as lutas de minorias, como a vereadora Marielle Franco, em alusão à violência contra a mulher e o povo negro, e a travesti Dandara.

Primos da Ilha - Carnaval de Manaus 2019

Andanças de Ciganos

Segunda agremiação mais antiga do Amazonas, com 43 anos de fundação, e a segunda a desfilar, a Andanças de Ciganos, apresentou o enredo “O sonho de ser um milionário” para se perguntar, afinal, se o dinheiro é a riqueza mais importante.

Com uma explosão de dourado nas fantasias e alegorias, e aliando a folia à crítica política, os setores da agremiação fizeram um percurso histórico partindo de momentos como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial até a escravidão no Brasil e, nos tempos contemporâneos, a revogação de direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e as condições de quem ainda vive como trabalhador análogo à escravidão. A Andanças de Ciganos terminou sua apresentação em cima do tempo, mas ainda dentro do limite de 70 minutos.

Andanças de Ciganos - Carnaval de Manaus 2019

Vitória Régia

Na apresentação da Vitória Régia, o clima foi de homenagem: a escola celebrou os 70 anos do jornal amazonense A Crítica e a vida do seu criador, o jornalista Umberto Calderaro Filho. “Bomba, bomba no jornal, explodiram a redação”, cantava o samba-enredo da escola, lembrando momentos importantes da história do jornal, como uma tentativa de atentado no Dia de São Sebastião. Essa foi a segunda vez que a verde-e-rosa homenageou o jornal: a primeira foi em 1995, com o tema “Hoje quem bota a banca sou eu”.

A partir da personificação da vitória-régia, a índia Naiá, como narradora da história, a trajetória do jornal foi contada em 22 alas, com quatro carros alegóricos, desde o nascimento do periódico até a consolidação da Rede Calderaro de Comunicação com as novas tecnologias de comunicação, como o portal e a transmissão do Carnaval e do Festival Folclórico de Parintins. “[É a história de] uma empresa que não pertence à família Calderaro, e sim ao povo do Amazonas”, afirmou o vice-presidente da rede, Dissica Calderaro, entre os homenageados.

Vitória Régia - Carnaval de Manaus 2019

Vila da Barra

A quarta apresentação da noite ficou por conta da escola de samba Vila da Barra, do bairro da Compensa, zona Oeste de Manaus. Com três carros alegóricos, 20 alas e aproximadamente 2 mil participantes, a agremiação lançou a “sorte” na avenida: amuletos, bolas de cristal e jogos de azar deram o tom do enredo “Azul e amarelo são as cores do meu amuleto, emociona Vila porque hoje a sorte está ao seu lado”.

Pelo terceiro ano, a agremiação convidou como carnavalesco Tiago Fartto, que trabalhou com Paulo Barros, um dos principais carnavalescos do Rio de Janeiro, e, com a experiência, prometeu levar inovações para a Avenida do Samba de Manaus. Entre as fantasias e alegorias, as cores da escola, azul e amarelo, tomaram a forma de roletas, trevos de quatro folhas, bolas de cristal e dados, entre diversos talismãs. Em clima de animação, a bateria ditou o ritmo final do desfile, reunindo a harmonia dançando em frente aos componentes.

Vila da Barra


Gabriel Oliveira, com fotos de Leonardo Leão
Equipe Viva Manaus

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