Despedida do Artista plástico Oscar Ramos Fotos: Leonardo Leão/Manauscult

Artistas, personalidades públicas, amigos e fãs estiveram nesta quinta-feira, 13/6, no Centro Cultural Palácio Rio Negro, na Av. Sete de Setembro, Centro, para prestar as últimas homenagens ao artista plástico Óscar Ramos, que morreu na manhã do dia 13, aos 80 anos de idade. O corpo do artista foi enterrado nesta sexta-feira, 14/6, às 11h, no Cemitério São João Batista, zona Centro-Sul de Manaus.

O velório foi aberto ao público às 16h30 da quinta-feira. Entre amigos, colegas de trabalho e admiradores da vida e obra de Óscar, palavras que definiram a trajetória do artista, no Brasil e no Mundo.

“Óscar era mentor de muitos jovens que estavam começando nas áreas das artes. Muita gente que trabalha com produção começou pelas mãos dele, assim como outros nomes já consagrados que expõem no mundo inteiro, começaram sob a tutela de Óscar Ramos. Arquimedes já dizia: ‘Me dê um ponto de apoio que eu moverei o universo’, então o ponto de apoio de todos estes foi Óscar Ramos”, disse Leonardo Novellino, ator e administrador do Museu da Cidade de Manaus, onde dividia o dia-a-dia de trabalho com Óscar.

A professora e historiadora Etelvina Garcia destacou a grandeza de Óscar. “Foi um artista de primeira linha, uma estrela de primeira grandeza, que foi embora desse universo levando todo esse talento que nos fez tão bem, fez tão bem à arte. Ele vai deixar uma enorme saudade”, comentou.

O cineasta Sérgio Andrade destacou o perfil inovador de Óscar. “Eu acho que o Óscar Ramos foi um artista muito inovador, iconoclasta mesmo. Ele tinha essa pulsão, essa energia da arte inovadora e da arte contemporânea muito forte. Eu acho que ele era um excelente curador por causa disso, porque ele conseguia ver e filtrar o que era realmente artístico e deplorável, misturando as duas coisas e criando algo contemporâneo”.

Sepultamento

Por volta das 10h40h da manhã desta sexta-feira, o corpo de Óscar Ramos deixou o Centro Cultural Palácio Rio Negro, no Centro, onde estava sendo velado e seguiu em cortejo até o cemitério São João Batista, na Zona Centro Sul. Antes do último adeus, o barítono lírico Josenor Rocha cantou duas músicas em homenagem póstuma ao artista. O corpo de Óscar foi sepultado às 11h.

Despedida de Oscar Ramos

Vida e obra

Óscar Ramos nasceu em Itacoatiara, interior do estado do Amazonas (distante a 269 quilômetros de Manaus) e é considerado um dos principais nomes das artes visuais no Brasil, tendo, inclusive, realizado trabalhos com grandes nomes da música brasileira, assinando capas de discos de Caetano Veloso, Maria Betânia, Gilberto Gil e Gal Costa, por exemplo, além de trabalhos premiados no exterior.

Segundo José Cardoso, amigo do artista há mais de duas décadas, a trajetória de Óscar Ramos foi marcada pela experiência de quem buscou o sentido de sua existência expresso em obras variadas, em cidades como Rio de Janeiro, Madri, Londres, São Paulo, Salvador, sem deixar de traduzir sua escolha consciente em ser um amazônida.

“É possível observar em suas obras a influência do verde da floresta, do azul do céu amazônico, das cores e aromas dos frutos da floresta, do mormaço e principalmente das cheias e vazantes das nossas águas. Desta forma, ele se faz universal, plural e ao mesmo tempo singular na grandeza de sua obra”, comentou o amigo.

Nós últimos anos, Óscar Ramos atuou junto à Prefeitura de Manaus, como curador do Paço da Liberdade, no Centro Histórico de Manaus. Seu último trabalho de curadoria foi relacionado à vida e obra do escritor Guimarães Rosa, homenageado da Semana do Livro 2019 (evento em alusão ao Dia do Livro, comemorado no dia 23 de abril), promovida pela Prefeitura de Manaus e instituições de ensino superior. Na ocasião, Óscar acompanhou todo o processo, da criação à execução das atividades.

Reconhecidamente um dos maiores nomes da arte contemporânea do Brasil, Óscar Ramos possui uma longa trajetória, composta por mais de 60 anos de produção, marcada pelo experimentalismo de apelo universal.

Entre suas parcerias, ele estudou pintura livre com Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1960, produziu obras experimentais com Luciano Figueiredo, e trabalhou na revista “Navilouca”, dos poetas Torquato Neto e Waly Salomão.

Óscar também teve carreira no cinema: ele foi diretor de arte de “O Gigante da América” (1978), de Julio Bressane, e também colaborou em filmes de Ivan Cardoso, como “O Escorpião Escarlate” (1990), pelo qual foi premiado no Festival de Gramado.

Homenagens

Em maio de 2014, o artista foi homenageado com uma exposição no Oi Futuro, em Ipanema, no Rio de Janeiro, com curadoria de Alberto Saraiva, trazendo um conjunto de obras de Óscar que resume quase meio século de produção poético-visual.

Além disso, em 2018, Óscar foi homenageado com a exposição “Poemas Visuais e Retrospectiva”, que reuniu obras de diferentes períodos da carreira do artista, realizado pela Rede Amazônica, em parceria com a Prefeitura de Manaus.


Equipe Viva Manaus