Público no 2º dia do Festival Passo a Paço 2019 - Foto: Leonardo Leão/Manauscult

Presente pela primeira vez na cobertura do Festival Passo a Paço, nosso estagiário de Jornalismo Tiago Souza montou seu diário de bordo com impressões pessoais sobre o evento. Você pode conferir aqui a primeira parte dessa série de crônicas sobre o Passo a Paço 2019 😉


Neste segundo dia, quis utilizar da técnica de narrador-observador. Caso você não saiba, este tipo de personagem não interfere em absolutamente nada do que ocorre à sua volta.
Bom, iniciei por volta de 22h a escrita, mas o trabalho em si, começou às 15h.

Como assim?

Digamos que acabei me atrasando só um bocadinho para vir ao perímetro do Paço. Mas, sabe, usando da tática Poliana de enxergar o lado bom da vida, percebi que as pessoas me olhavam de um jeito curioso ao me verem com a camisa roxa da produção do Passo.

Honestamente, ainda não consigo mensurar como a marca e a mensagem do Passo a Paço impacta as pessoas, e que usar esta insígnia é sinal de orgulho.

Cheguei à base às 15h40 e comecei a refletir em como poderia ser a minha atuação. Fui ao Coreto e, solenemente, fiquei observando.

É ruim observar? Ficar só vendo? Ou ver para contemplar e admirar a beleza da Praça?

Sentei-me em um banquinho e olhei para as luminárias que cobriam o Museu da Cidade, para uma intervenção com mímicas, famílias que tiravam fotinhas com os recursos cenográficos.

E hora após hora, por aqui enchia. E muito.

Mas era ruim tanta gente assim por aqui? Óbvio que não.

É como tá na letra na gloriosa Elisa Maia, que cantou no Coreto às 19h20 e, gentilmente adaptarei aqui: “um Sol de Setembro para cada um”.

E hoje eu consegui outra função, rs.

Além de estagiário da comunicação daqui, ajudei umas dez pessoas a encontrarem os locais de shows e experimentei uns cinco pratos! rs

Infelizmente não decorei os nomes destas pessoas ou das barracas de alimentação. Mas, de coração, agradeço a todos por pedirem minha singela colaboração e espero ter sanado tais dúvidas.

A propósito, enfim, entendi que aqui é o local da diversidade.

Não só aqui, mas todo lugar, certo?

Mas eu vi pessoas serelepes, enfeitadas, coloridas, divertidas sendo felizes, em estado puro de êxtase e felicidade.

Público no Festival Passo a Paço 2019 – Foto: Leonardo Leão/Manauscult

Mudando um pouco o foco, hoje o dia foi de tiete para o jovem estagiário que vos escreve.
Dirigi-me ao Palco Banana e, enquanto o Sidney Magal cantava uma relíquia atrás da outra, mesclando com canções da Jovem Guarda e artistas do brega e lambada, como o Araketu e Beto Barbosa, senti algo que poucas vezes me ocorreu: o encantamento puro.

Olha, eu admito, gosto de músicas que tendem ao sertanejo, brega e adjacentes (aliás, vem Guto Lima e Leonardo em 2020! Foi o meu voto pelo instagram do @vivamanaus_, usando a tag #VemProPaço2020).

E essa malemolência aliada à efervescência e bom humor dele agitou todo o público que, à primeira vista, é um pouco mais adulto, em comparativo ao público jovem que prestigia nossos eventos mas, independentemente da idade, todos dançaram e cantaram ao som de Sandra Rosa Madalena e “cia ilimitada”.

Show de Sidney Magal no Festival Passo a Paço 2019 – Foto: Zeca Barcelos/Manauscult

Falando em efervescência, experimentei mais um pratinho, muito saboroso por sinal: filé com molho de vinho com arroz e farofa.

E após descansar um pouquinho (motivo: fui inventar uma pirueta e quase ferrei de verdade meu joelho), desci a Rua Taquerinha, que dá acesso aos palcos e fui ver o senhor, o Rei, Raimundo Fagner.

Assim, digamos que letras mais emotivas e refletivas afetam o coraçãozinho deste moço que, por sinal, saiu cantarolando aos quatro ventos “Borbulhas de Amor”. Eu e toda a torcida do Flamengo! Ops, do Vasco, não, do Flamengo mesmo, porque era gente demais!

Show de Fagner no Festival Passo a Paço 2019 – Foto: Leonardo Leão/Manauscult

Ah, preciso propor um agradecimento à senhorita Letícia Letrux. Não pude assistir ao show. Mas os amigos internautas me repassaram as benfeitorias e simpatias dela, além, é claro, da ótima voz.

Letrux no Palco da Banana, no Festival Passo a Paço 2019 – Foto: Zeca Barcelos/Manauscult

No meio disso tudo, preciso falar sobre os bonecos do Giramundo! Eles foram expostos por todo o salão principal do Les Artistes Café Teatro.

Só pra contextualizar: o Grupo Giramundo foi criado em 1970, em Belo Horizonte, por quatro artistas plásticos e, em seu acervo conta com mais de 1.500 bonecos criados para teatro até hoje!

Nesta exposição feita em Manaus, não apenas os bonecos do acervo estiveram presentes, mas bonecos gigantes “invadiram” as ruas do Centro Histórico.

Pude conversar com a família Rangel, composta pela Ivanete, Helen e Paulo. Eles estavam incrédulos com as esculturas. Para Ivanete, que prestigia pela primeira vez o Passo a Paço, o ambiente é organizado, bom e quando a indaguei sobre qual boneco ela havia mais gostado, foi sincerona: “são tantos por aqui que nem pude escolher um só”.

Saí do Les Artistes e me dirigi ao Museu da Cidade. A cada 40 minutos, um grupo era guiado pelas dependências. Peças, artefatos históricos, quadros, exposições, elementos amazônicos, sendo visitados e promovendo um encantamento entre o cidadão e a história. Um reconhecimento de seu povo com seu antepassado legítimo.

E, muitas vezes, achamos que a história é coisa de gente privilegiada, que apenas os abastados podem ter acesso ilimitado. Muito pelo contrário. O acesso é livre e gratuito.

O Passo a Paço é assim: a ocupação do Centro Histórico por vários olhares, por vários ângulos, por várias pessoas.

Público no Festival Passo a Paço 2019 – Foto: Mayrlla Motta/Manauscult

Assim sendo e sem mais nada a declarar, encerra-se aqui mais um diário de bordo.
Espero que você tenha se divertido loucamente, insanamente, “paçamente” (sim, criei essa palavra, aceite)! Conto mais um pouco do terceiro dia no próximo link 😉

Tiago Souza
Equipe Viva Manaus