Encrespa Geral Manaus 2018 - Foto: Wallace Modesto

A violência e a incitação de ódio aos costumes indígenas e o discurso de intolerância e violência à população negra são os temas abordados na 8ª edição do “Encrespa Geral”, que acontece neste sábado, 7/12, no Centro de Convivência Teonízia Lobo (ARAR), localizado na Rua da Penetração III, s/n, Amazonino Mendes, bairro Mutirão, zona Norte. Com início previsto para às 13h, a programação inclui roda de conversa, oficina de turbante, oficina de dança charme, intervenção artística, exposição fotográfica, sorteios e atração musical.

Presente no calendário cultural e político da capital amazonense, o Encrespa Geral traz ao longo dos anos um público diferenciado e busca incentivar para além do uso do cabelo natural, crespo e cacheado, a valorização da identidade negra, e a discussão acerca de temas como racismo e outros.

De acordo com a idealizadora do evento em Manaus, Jéssica Dandara, a hashtag #NãoéSóCabelo é utilizada para identificar o Encrespa Geral, pois, além de estimular o uso do cabelo natural como forma de autoconhecimento, a organização procura trazer ao debate temas de relevância no cenário político-cultural e social.

“O Brasil foi fundado através da aculturação indígena e através da mão-de-obra escrava de africanos. Com isso, foi formado um discurso de ódio de que indígenas são insolentes por não quererem aceitar a cultura europeia, ou uma imagem de que são preguiçosos, de que ser negro é ruim, dentre outros discursos que até hoje acompanham essas populações, e por isso consideramos de extrema importância trazer esta temática ao evento, a fim de dialogar ainda sobre as formas de se combater esse discurso”, disse.

Em 2019, o evento chega à sua oitava edição, e mesmo com a temática principal voltada ao discurso de ódio sobre negros e indígenas, o debate acerca da estética negra permanece, como explica Dandara. “Ao longo das edições, o Encrespa Geral propõe um resgate cultural, histórico e social, ou seja, discutir e valorizar as nossas raízes culturais e estéticas continua sendo um dos principais focos da nossa atividade, visto que ainda hoje é difícil reconhecer a beleza de corpo negro”.

Programação

Embora já tenha uma programação fixa, o Encrespa Geral também traz anualmente uma série de artistas locais e intervenções culturais, a fim de valorizar seus trabalhos.

Neste ano, a professora de dança, Nanny Rodrigues ministrará uma oficina de “Dança Charme”, um estilo de dança proveniente do ritmo musical R&B, com outros estilos presente nas pistas de dança desde os anos 1970 e mais comum em bailes intitulados “baile charme”, em Madureira, no Rio de Janeiro.

Em seguida, o dançarino e publicitário Victor Felipe fará a apresentação de um solo contemporâneo. “Em cena, eu trago a história de Plínio, um garoto de 16 anos que está trocando de escola e vai passar por diversos preconceitos e encontra na dança sua real identidade”, conta o artista.

Já o performer Vitor Rocha expõe ao público “Cabô”, um de seus projetos, que reflete sobre a importância de vidas negras. De acordo com a sinopse da performance, “Cabô é por cada menino negro que foi morto pelo Estado, por cada família que viu menino ir, mas não viu menino voltar, é sobre cada sonho negro interrompido por 1, 80 ou 111 tiros. Cento e onze tiros e cabô”.

Uma das atividades oficiais do Encrespa Geral e também uma das mais aguardadas é a oficina de turbante, desenvolvida pela professora de artes Luciana Gorgonha, que através do uso do turbante busca valorizar os costumes de matriz africana.

Já o show fica por conta do rapper Aruack, um dos artistas mais promissores de Manaus, que com a música “Flow Wakanda”, que fala sobre autoestima, ganha ainda mais espaço no eventos culturais da cidade. Outra atração cultural é a apresentação de Slam, um estilo de poesia falada, declamada pela rapper Halaise Asaf.

A programação conta ainda com um set do DJ Balaclavo, sorteio de livros, um espaço para crianças, e a feitura de tranças nagô, boxeadora e escama de peixe, com preços que variam de R$ 10 a R$ 30, por Ádria Praiano.

Durante todo o evento, acontece a exposição fotográfica da artista visual Keila Serruya, com as imagens do ensaio feito para a divulgação da 8ª Encrespa Geral, e uma exposição artística dos quadros da artista Medusa.

Organização e apoio

O Encrespa Geral é um evento que acontece em Manaus desde 2013, e tem a equipe de organização composta por Jéssica Dandara, Karine Pantoja, Amanda Machado, Rafaele Queiroz, Ricelen Monteiro e Zilma Cabral. Essa edição recebe o apoio do Grupo Picolé da Massa, e da artista visual e designer Mendes Auá. Outro apoiador da atividade é o coletivo Coytada Mao, que em novembro promoveu a festa “É som de Preto”, em parceria com o Encrespa Geral.

Com informações de assessoria