Ian Lecter - Foto: Graziela Praia

Inspirado por temas do contexto histórico-social brasileiro, o rapper amazonense Ian Lecter lançou na última quinta, 30/1, seu primeiro disco, intitulado “Cor da Alma”. O lançamento veio acompanhado também pelo videoclipe da música “Tipo Madruga”, uma parceria de Lecter com a cantora amazonense Karen Francis.

“Cor da Alma” possui nove faixas e já está disponível no canal do artista no YouTube e logo mais em todas as plataformas digitais (Spotify, Deezer, iTunes). O disco também conta com a participação de outros rappers da cena de Manaus, como o expoente Victor Xamã, Gabriel Daluz, Ghost e Mayer.

As músicas são marcadas por versos sobre a vivência do cantor, que aborda questões sociorraciais, retrata preconceitos e critica o eurocentrismo religioso (a representação de um deus branco universal). Suas reflexões como homem preto e artista o levam também a falar sobre ancestralidade negra e evidenciar sua realidade como homem preto nascido no Norte do país. O artista também reflete sobre sua família e perdas familiares irreparáveis, como de sua mãe e irmão, personagens fundamentais à lírica do álbum. É também na música negra que Ian foi buscar referências para o álbum que vão desde a soul music brasileira e MPB até o blues, R&B e música africana.

O time

Para materializar o disco, o artista reuniu expoentes do cenário da produção do rap da cidade de Manaus, com a maioria das faixas produzidas pelo também rapper e produtor musical Victor Xamã e colaboração nos instrumentais (beats) de Gabriel Daluz, DK, Ethos, Makintrax e Olx. O produtor Victor Xamã também assina a mixagem e masterização da faixas. As músicas foram captadas em Manaus, nos estúdios Fita Wave (selo do rapper e produtor musical Gabriel Daluz) e 2088 Label (do rapper e produtor musical Victor Xamã). O álbum ainda conta com a colaboração de Sarah Isabel, ilustradora que desenvolveu a arte da capa do trabalho e projeto gráfico também desenvolvido por Graziela Praia e Victor Xamã.

O videoclipe de “Tipo Madruga” teve direção, fotografia e edição da produtora audiovisual amazonense Graziela Praia. Ian Lecter também assina o roteiro, junto à diretora e à cantora Karen Francis. O produto audiovisual ainda conta com Aline Lopes e Franklin Raikar na iluminação.

Ian Lecter

Ian Lecter, 24, deu início à carreira em 2015, já tendo em mente o que queria relatar em suas composições: existência, ancestralidade, questões étnico-raciais. Em 2016, tendo a música como sua prioridade, se juntou a outro rapper (Saull) e deu início ao grupo ARKAICA. A dupla chegou a fazer mais de 40 shows em todas as zonas da cidade de Manaus. Nos anos seguintes, começou a desbravar outras atuações: estudou produção musical e se envolveu em vários projetos, como o selo Da Gaveta e o coletivo Lado Preto, que reúne MCs e DJs da cena de Manaus. Também é idealizador do Motirõ de Cultura com três eventos realizados na Ufam, integrando a academia com os elementos da cultura hip hop. O rapper já lançou faixas solo como “A quem queira enxergar” e “Foram-se as flores”, além de colaborações com rappers como Igor Muniz (“A cura’), Victor Xamã (“Rupturas internas”) e Mayer (“Convites da carne”).

Com informações de assessoria